Maio Cinza e o Câncer de Cérebro: quais sinais podem indicar a doença? - Blog - Hospital Vera Cruz

02/06/2025

Maio Cinza e o Câncer de Cérebro: quais sinais podem indicar a doença?

Maio é o mês para aprender sobre a ‘matéria cinza’ cerebral – e compreender como o câncer de cérebro, uma das formas mais agressivas da doença, pode ser diagnosticado e tratado.

HVC - Blog - Capa Maio cinza e o câncer de cérebro

 

Na área da saúde, a cor que marca o mês de maio é o cinza, dedicada à conscientização sobre o câncer do cérebro. A data surgiu em 2004 no Reino Unido, e quatro anos depois começou a ser lembrada também nos Estados Unidos. Em pouco tempo, espalhou-se pelo mundo.

Não é à toa que foram os países anglófonos os primeiros a lançar essa campanha: em inglês, “maio cinza” é “gray may“, uma expressão curta, memorável e sonoramente agradável – ou seja, ideal para divulgar um conceito de enorme importância: estar atento(a) aos sinais e sintomas de um dos tipos de câncer mais impactantes que há, buscando auxílio e suporte médico o quanto antes. Com diagnóstico precoce, há chances de cura para o câncer cerebral.

A cor cinza é uma referência à “substância cinzenta”, também conhecida como matéria ou massa cinzenta (gray matter, em inglês), um componente fundamental do cérebro e do sistema nervoso central. A substância cinzenta corresponde, em volume, a 40% do cérebro humano. Devido à alta densidade de células, consome 94% do oxigênio que chega ao órgão.

 

Os dados e os números do câncer de cérebro

Levantamento do INCA (Instituto Nacional do Câncer) indica que, entre 2023 e 2025, cerca de 11.5 mil novos casos de câncer do sistema nervoso central devem ser diagnosticados no Brasil. Apesar de não figurar entre os tipos de câncer mais comuns – a probabilidade de uma pessoa desenvolver tumores na região é inferior a 1% -, esta é uma das formas mais agressivas da doença, e com maior potencial de impactar a qualidade de vida, seja em termos físicos, cognitivos ou psicológicos.

Dados da National Brain Tumor Society dos EUA apontam que, apenas naquele país, mais de 93 mil novos diagnósticos de tumores cerebrais primários deverão ser feitos em 2025.

No mundo, o câncer do cérebro é o 19º tipo de câncer mais comum, correspondendo a pouco menos de 2% de todos os casos da doença. Todavia, é 12º tipo mais letal, sendo responsável por 2.5% dos falecimentos. Em 2019, estima-se que cerca de 350 mil novos casos foram diagnosticados.

Estimativas apontam que 70% dos tumores cerebrais são benignos, e aproximadamente 30% malignos. Estes malignos são realmente perigosos – hoje, a taxa de sobrevivência de 05 anos para pacientes com este tipo da doença é de apenas 35%. Para alguns tipos de câncer cerebral, como os glioblastomas, essa taxa é ainda menor (cerca de 7%), com uma média de sobrevida pós-diagnóstico de 09 meses.

Em jovens

Os tumores cerebrais são o tipo mais comum de câncer sólido em jovens com 19 anos ou menos nos EUA, sendo também a principal causa de morte por câncer nessa faixa etária. No Brasil, esse tipo de tumor é a segunda maior causa de morte por câncer entre crianças e adolescentes, ficando atrás apenas das leucemias.

Estudos realizados nos EUA mostraram que, de 2008 a 2017, a incidência desse câncer caiu em média 0.8% a cada ano na população em geral. Todavia, no recorte populacional de jovens, a incidência aumentou significativamente. Essa tendência está sendo identificada também em outros países, o que leva organismos como a Organização Mundial da Saúde em reforçar estudos e esforços no diagnóstico precoce da doença.

 

Como perceber a doença: sinais e sintomas

Há vários sintomas relacionados ao câncer do cérebro, e muitos deles podem ser confundidos com problemas menos sérios, ou pode-se achar que são sinais de outras questões de saúde. Por exemplo, o sintoma mais comum é a dor de cabeça, presente em até 50% dos casos.

Sentir dores de cabeça, por si só, raramente é um sinal de câncer; porém, se elas estiverem cada vez mais frequentes e intensas e forem acompanhadas de outros sintomas, como confusão mental, dificuldade de comunicação ou de movimentação, deverão ser discutidas junto a um profissional de saúde.

No geral, os sinais mais comuns de câncer cerebral incluem:

  • Dores de cabeça cada vez mais frequentes, ou sensação de ‘pressão’ na cabeça, especialmente durante a manhã
  • Dificuldades na visão (como perda parcial/total da visão, imagens embaçadas, dobradas ou desfocadas)
  • Náuseas frequentes
  • Desmaios, tonturas, convulsões
  • Problemas de memória
  • Confusão mental, dificuldade de concentração ou de seguir instruções simples
  • Alterações de personalidade ou de comportamento
  • Dificuldade em falar (ou até mesmo impossibilidade de se comunicar verbalmente)
  • Fraqueza muscular, dormência nos membros
  • Paralização de movimento em um dos lados do corpo
  • Ter movimentos involuntários

Esses sinais podem surgir de forma progressiva ao longo de muitos anos (sendo frequentemente confundidos com consequências normais do envelhecimento), ou então serem percebidos de maneira abrupta, de uma hora para outra. Nessas situações, procurar orientação médica imediata é importante, já que sintomas mais agressivos costumam estar relacionados a tumores malignos, demandando tratamento rápido.

 

Detecção depende da atenção do paciente

Os tumores cerebrais formam um conjunto complexo de doenças. Não há uma causa conhecida que possa responder por todas elas. Por isso mesmo, não existe no momento uma rotina de exames de prevenção. A doença é percebida quando o paciente relata os primeiros sintomas e procura ajuda médica. Por isso é tão importante estar atento a esses sinais e procurar auxílio médico o quanto antes a fim de obter o diagnóstico.

Em caso de suspeita de câncer cerebral, o médico poderá realizar exames neurológicos, seguidos por tomografia computadorizada da região da cabeça e exames de ressonância magnética a fim de confirmar o diagnóstico.

 

Como estão os tratamentos hoje em dia para o câncer de cérebro?

A principal vantagem do diagnóstico precoce é expandir as possibilidades de tratamento. Quando o tumor é identificado nos estágios iniciais, a equipe médica poderá optar por uma dentre várias estratégias terapêuticas, de maior ou menor impacto na qualidade de vida do paciente – incluindo opções como radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo, ou cirurgia.

A escolha da estratégia terapêutica dependerá do tipo de tumor identificado, seu tamanho e sua posição no cérebro, o quão rápido ele está crescendo e a saúde geral do paciente. Como mencionado acima, cerca de 70% dos casos são benignos. Para alguns desses, talvez a equipe médica opte até mesmo por não realizar intervenções imediatas, caso o tumor seja pequeno, de crescimento lento, esteja contido e não cause sintomas severos. Talvez esse tumor se desenvolva de forma tão lenta que nunca chegará a causar problemas – basta acompanhamento frequente via exames de imagem a fim de confirmar que tudo vai bem.

Assim como em outros tipos de câncer, cada caso de tumor cerebral é único e precisa ser estudado e tratado de acordo. Felizmente, hoje a tecnologia médica permite não apenas a identificação exata do tipo do tumor, como também fornece opções de tratamentos adequados aos mais diversos tipos da doença.

Vale apontar que novos tratamentos contra o câncer no geral – e também contra tumores no cérebro – estão sendo desenvolvidos e testados constantemente. Para os tumores cerebrais, as maiores esperanças residem nos chamados tratamentos alvo-específicos, em potenciais vacinas e terapias gênicas. Um dos exemplos mais promissores são os estudos com as chamadas células CAR-T, em um tipo especial de imunoterapia que ‘reprograma’ células de defesa do próprio corpo para atacar os tumores cerebrais.

Neste maio cinza, vamos proteger a “matéria cinzenta” e prestar atenção ao que nosso cérebro está nos dizendo! Caso perceba algum dos sintomas mencionados acima, seja em você, seja em alguém próximo, procure orientação médica. Assim como ocorre para qualquer outra doença, quanto antes o problema for identificado, melhores as chances de tratamento e de cura.

HVC - Perfis de Médicos - Posts - Dra. Giselle Rocha Moura

 

Para mais informações

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25 de março

Março Azul-Marinho

“Março Azul-Marinho” é o nome da campanha que tem o objetivo de promover a prevenção e o combate ao câncer do intestino grosso ou, como é mais conhecido, c0âncer de cólon e reto (o reto é a porção final do intestino grosso). A importância dessa campanha se justifica por diferentes fatores. Em primeiro lugar, pelos números associados à doença. Dados da Associação Internacional para Pesquisa em Câncer (www.iarc.who.int) mostram que o tumor colorretal é o quarto câncer mais comum no mundo, com mais de um milhão de casos novos diagnosticados anualmente. Ainda pelos dados da IARC, no cenário mundial, este tipo de câncer aparece como a terceira maior causa de morte por tumores (aproximadamente meio milhão de óbitos por ano), atrás dos cânceres de pulmão e mama. No Brasil, as estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (www.inca.gov.br) mostram que, em 2019, o câncer colorretal provocou a morte de 20.576 pessoas (10.191 homens e 10.385 mulheres). A estimativa do INCA para 2020 foi de cerca de 41 mil casos novos de câncer do intestino grosso. Informar-se corretamente, um dos objetivos da campanha Março Azul-Marinho, nos dá meios para diminuirmos o risco de desenvolvermos o câncer colorretal ou diagnosticá-lo o mais cedo possível. É importante saber, por exemplo, que a probabilidade aumenta com a idade. Este tipo de tumor é infrequente entre os jovens e muito mais comum a partir dos 50 anos. Por isso, recomenda-se que, quem chegou a esta idade, mesmo que não apresente queixas relacionadas ao hábito intestinal (indivíduo assintomático), converse com um médico ou busque informações nos serviços de saúde, para conhecer as alternativas e disponibilidade dos chamados exames de rastreamento, como pesquisa de sangue oculto nas fezes, retossigmoidoscopia e colonoscopia. Para quem tem parentes próximos com diagnóstico confirmado de câncer colorretal, para aqueles que têm doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa ou doença de Crohn, e indivíduos com certas doenças hereditárias, como a polipose familiar, a orientação sobre exames de rastreamento deve ser individualizada e realizada antes dos 50 anos. Em alguns casos, é recomendada a avaliação por especialista em Oncogenética. Também é importante salientar que determinados hábitos e escolhas podem aumentar nosso risco de desenvolver câncer colorretal. Estudos e pesquisas internacionais demonstraram que o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, a alimentação com poucas fibras (frutas e vegetais) e excesso de carnes vermelhas e processadas (salsicha, mortadela, linguiça etc.), estão associados ao desenvolvimento da doença. Além disso, deve-se evitar o sedentarismo e o excesso de gordura corporal. Conhecer os sinais e sintomas mais frequentemente associados ao câncer colorretal também é relevante. Deve-se buscar avaliação médica, sem demora, no caso de se observar a presença persistente de sangue nas fezes; se as fezes passarem a ter formato fino ou achatado (em forma de fita); se acontecer mudança inexplicável no hábito intestinal, especialmente se forem períodos de diarreia intercalados com períodos em que o intestino para de funcionar; se surgir dor ou desconforto abdominal recorrentes; se detectada tumoração abdominal, anemia, fraqueza e/ou perda contínua de peso sem motivo. Quando um ou mais desses sinais e sintomas estão presentes e a pessoa passa por avaliação médica adequada, aumentam as chances de que, se for mesmo um tumor do intestino, seja descoberto e tratado em estágio inicial. Nessas circunstâncias, as chances de cura superam 90%. Por outro lado, apesar de muitos avanços terapêuticos e das constantes pesquisas, o câncer colorretal diagnosticado em estágios avançados ainda exige tratamentos complexos e de alto custo, resultando em prognóstico limitado, com alto risco de toxicidades graves e sequelas indesejáveis. Isso é o que o engajamento na campanha “Março Azul-Marinho” procura evitar. *Dr. Paulo Eduardo Pizão (CRM 58.041) é coordenador do Vera Cruz Oncologia.

03 de fevereiro

TUMOR BOARD: um passo para o tratamento oncológico personalizado

Uma prática essencial na medicina moderna é o compartilhamento de informações entre os profissionais especialistas. O “Tumor Board” surgiu nesse contexto, tendo em vista a capacidade multidisciplinar de uma instituição com grande quantidade de profissionais voltados para o tratamento oncológico e o surgimento de encontros ou reuniões esporádicas com o objetivo de gerar debates sobre diversos casos. Independentemente da experiência de cada médico, ter uma diversidade de especialistas em um ambiente profissional capazes de opinar sobre o assunto pode gerar enormes benefícios para uma instituição de saúde e, em especial, para o paciente. Ao trabalhar em conjunto, a equipe pode avaliar todas as opções para aperfeiçoar a precisão no diagnóstico e a eficácia do tratamento oncológico. Isso pode representar mais rapidez na condução do tratamento, impacto no custo-efetividade e assertividade na tomada de decisão. Atualmente, é possível implementar essa linha de raciocínio coletivo utilizando as plataformas virtuais, que permitem inclusive a participação remota de profissionais de instituições internacionais e grandes centros oncológicos mundiais. Afinal, quem participa desses encontros? Diversas especialidades médicas podem compor esses participantes como Oncologia Clinica, Cirurgia Oncológica, Patologia, Radiologia Clinica, Radiologia Intervencionista, Medicina Nuclear, Radioterapia, Especialidades Cirúrgicas, Oncocardiologia e outros profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente oncológico (enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais). “Tumor Board” é uma estratégia inovadora que pode garantir a implantação de práticas de medicina de precisão nos serviços de saúde. A medicina de precisão é uma prática diferente dos moldes tradicionais de atendimento, que visa um tratamento individualizado que considera fatores genéticos, biológicos e influência dos meios externos, tornando a decisão terapêutica mais humanizada e completa. Ao tratar cada paciente como um ser individualizado, e não apenas parte de um sistema, a equipe deixa de considerar o diagnóstico como peça central do direcionamento do tratamento e o entende como mais um pedaço do quebra-cabeça que precisa ser montado para alcançar o bem-estar do paciente. Dra. Camila Nassif Ferreira Brito Médica oncologista do grupo de Oncologia do Vera Cruz Hospital

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