(VeraCast) Saúde da mulher: Papanicolau, teste de HPV, Síndrome dos Ovários Policísticos, câncer de mama e autocuidado - Blog - Hospital Vera Cruz

15/07/2026

(VeraCast) Saúde da mulher: Papanicolau, teste de HPV, Síndrome dos Ovários Policísticos, câncer de mama e autocuidado

“Ninguém conhece o corpo melhor do que a própria mulher”. Podcast debate temas relevantes para o cuidado com a saúde feminina e aponta sinais e sintomas que exigem acompanhamento médico.

Vera Cruz Hospital - VeraCast 71 - Saude da Mulher - capa

No VeraCast – podcast oficial do Vera Cruz Campinas – nº 71, a jornalista Marcela Varani conversou com profissionais do Vera Cruz Hospital sobre diversos temas de interesse para a saúde da mulher. Participaram da conversa a Dra. Isabela Dias Fahl (ginecologista e obstetra) e a Dra. Maria Beatriz de Sá Dias Machado (endocrinologista).

Prevenção de doenças, autocuidado, exames de rotina e qualidade de vida estiveram em pauta ao longo do episódio, assim como a importância de respeitar os sinais do próprio corpo quando o assunto é saúde. Confira a seguir alguns dos destaques.

 

HPV e câncer de colo do útero

Mudança no rastreamento do câncer de colo do útero

No podcast, a Dra. Isabela explica que, desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou o protocolo nacional rastreamento do câncer de colo do útero.

Com isso, o Papanicolau deixou de ser o exame primário de rastreio. O novo método é o teste molecular para detecção e genotipagem do vírus HPV, causador da doença.

No novo teste, a coleta permanece semelhante ao Papanicolau, inclusive seguindo a mesma faixa etária (de 25 a 64 anos). Todavia, o intervalo entre os exames aumenta: se for negativo, indica-se a repetição a cada 5 ano. Anteriormente, o indicado era a repetição cada 03 anos em casos negativos; como o novo teste possui maior sensibilidade para detectar risco oncogênico antes do aparecimento de lesões precursoras, ampliou-se esse tempo.

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Por que prevenir é tão importante?

O câncer do colo do útero é um dos poucos tipos da doença que pode ser evitado, tanto com base no rastreio quanto na vacinação.

Lesões precursoras são altamente tratáveis e evitam progressão para câncer invasivo. “(O tratamento precoce) É menos custoso do ponto de vista psicológico e financeiro para a paciente, e tem uma resposta muito melhor do que tratar o câncer do colo de útero em si”, destaca a dra. Isabela.

Vera Cruz Hospital - VeraCast 71 - Saude da Mulher - capa (Dra Isabela Fahl)

 

Vacinação contra HPV

A vacinação contra HPV começou aqui no Brasil há aproximadamente 10 anos. Ela reduz drasticamente o risco de infecção persistente por tipos oncogênicos e está disponível no SUS para meninas de 9 a 14 anos, com ampliação da faixa etária no setor privado.

Estima‑se que 80% das mulheres terão contato com HPV ao longo da vida. O ideal é a vacinação ser feita antes do primeiro contato com o vírus (por isso a vacinação ocorre ainda na infância ou no início da adolescência).

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Câncer de mama

Rastreamento do câncer de mama

Outro tipo de câncer comentado no episódio foi o de mama. Assim como o Papanicolau, a mamografia permanece como um exame de rotina fundamental para a saúde feminina, e deve ocorrer anualmente a partir dos 40 anos (não há benefício em antecipar para mulheres muito jovens devido à alta densidade mamária, explica a dra. Isabela).

A ginecologista explica que o autoexame não é mais recomendado como rotina, mas alterações visuais (retração, abaulamento, pele em “casca de laranja”, descarga papilar) devem motivar avaliação médica.

 

Saúde da mulher: atenção aos sinais do corpo

Sinais clínicos que não devem ser normalizados

É comum as mulheres “deixarem para depois” o cuidado com a própria saúde. Ao longo do episódio, as doutoras explicam como essa atitude pode refletir em graves problemas no futuro, assim como reduzir a qualidade de vida atual, mesmo em casos em que soluções simples e práticas estão à disposição.

Há sinais do corpo que jamais devem ser ignorados. Sintomas que exigem avaliação médica são aqueles constantes, que estão impactando a qualidade de vida. Dentre eles, destacam-se:

 

  • Dismenorreia incapacitante,
  • Sangramento uterino anormal,
  • Alterações súbitas do ciclo,
  • Dor pélvica persistente.

 

Endometriose

Fisiopatologia e impacto

Outro tema debatido no podcast foi a endometriose, definida como presença de tecido semelhante ao endométrio (que é o tecido mais interno do útero) fora da cavidade uterina.

A condição gera inflamação crônica, fibrose e aderências (ex.: útero aderido à bexiga ou intestino), e pode alterar a anatomia pélvica, prejudicando a captação do óvulo.

Sintomas incluem dor pélvica cíclica ou contínua, dispareunia e infertilidade.

 

Questões hormonais

Estilo de vida, estresse e eixo hormonal

A dra. Maria Beatriz explicou que “o paciente conhece o corpo melhor que qualquer pessoa”, então sintomas e sinais que estão impactando o dia a dia devem ser levados a sério, mesmo aqueles que parecem ‘menos sérios’ para a mulher.

O estresse crônico, por exemplo, altera o eixo hipotálamo‑hipófise‑adrenal, com reflexos na produção de múltiplos hormônios, podendo alterar até mesmo o ciclo menstrual. Sono inadequado, trabalho noturno e desnutrição podem causar amenorreia, irregularidade menstrual e piora metabólica. Assim, a menstruação é considerada um marcador clínico de saúde sistêmica, e é um tópico sobre o qual deve-se conversar com a ginecologista ou endocrinologista.

Vera Cruz Hospital - VeraCast 71 - Saude da Mulher - capa (Dra Maria Beatriz Machado)

 

Disfunções da tireoide

O podcast aborda também um tema bastante popular entre as mulheres: a disfunção da tireoide. Esta é uma questão de saúde mais prevalente em mulheres do que em homens – um dos motivos, como comentado no episódio, é que elas procuram com mais frequência orientação médica do que eles, possibilitando tratamentos precoces.

Hipotireoidismo pode causar fadiga, lentidão cognitiva, retenção hídrica, alterações de pele/cabelo, irregularidade menstrual e impacto na fertilidade. Apesar dos tratamentos serem padronizados, as doses devem ser individualizadas, a fim de otimizar os efeitos no corpo de cada mulher.

 

Síndrome dos ovários policísticos

O podcast debate esta síndrome que foi muito diagnosticada até pouco tempo atrás, e que agora ganha um olhar mais detalhado pelas equipes médicas. O diagnóstico é baseado em três eixos:

 

  • Disfunção ovulatória (oligo/amenorreia),
  • Hiperandrogenismo clínico ou laboratorial,
  • Alterações ovarianas (volume aumentado ou múltiplos folículos).

As doutoras explicam que, tendo em vista os sintomas compartilhados com várias outras questões de saúde, o diagnóstico diferencial é muito importante. Além disso, o tratamento deve ser individualizado: controle metabólico, regulação menstrual, manejo de acne/hirsutismo, indução de ovulação (quando a gestação é desejada), todas são questões a serem abordadas junto à equipe médica.

 

Menopausa e climatério

O climatério inicia-se de 8 a 10 anos antes da menopausa. Os sintomas incluem labilidade emocional, mudanças na pele e/ou no cabelo, ondas de calor, insônia, “névoa mental”, redistribuição de gordura para região abdominal, ressecamento vaginal e queda de libido.

Nesta fase, muitas mulheres marcam consultas com cardiologistas ou neurologistas antes de perceber que a origem das modificações no corpo é hormonal – mais um motivo para visitar com regularidade sua médica, relatando todas as mudanças percebidas no corpo.

O tratamento para sintomas do climatério pode incluir terapia hormonal (quando elegível), mas não necessariamente; há estratégias não hormonais (como exercícios físicos, melhora na qualidade do sono, manejo do estresse) de grande eficiência, e com menos efeitos colaterais.

“As mulheres devem validar seus sintomas, buscar atendimento e não normalizar o sofrimento”

 

Escute o seu corpo: autonomia e cuidado contínuo

A principal mensagem do podcast é que as mulheres devem validar seus sintomas, buscar atendimento e não normalizar o sofrimento. Isso significa conversar com seu médico para entender as estratégias terapêuticas disponíveis hoje e como elas podem impactar positivamente o dia a dia.

O cuidado precisa ser preventivo e contínuo. Exige autoconhecimento corporal e a consciência de que o corpo é o melhor indicador de que algo ‘não está certo’ com a saúde.

“Não duvide de você. Se você está sentindo alguma coisa, você conhece seu corpo, vá atrás, procure ajuda médica. Não ignore seus sintomas porque a rotina está corrida, porque você precisa cuidar dos filhos, do trabalho, da família. Se você está com algum sintoma, não ache que é “coisa da sua cabeça”, orientou a dra. Maria Beatriz.

 

Acompanhe o podcast completo nos links abaixo:

 

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