30% das pessoas têm anemia (especialmente as mulheres) - o que é e quais são os sintomas? - Blog - Hospital Vera Cruz

22/07/2026

30% das pessoas têm anemia (especialmente as mulheres) – o que é e quais são os sintomas?

Um dos problemas de saúde mais comuns, a anemia é debilitante, impacta a qualidade de vida e tem consequências físicas, mentais e econômicas. Saiba mais sobre ela!

HVC - Blog - Capa (anemia)

Imagine um problema de saúde que afeta mais de um quarto da população mundial. Um problema que pode levar a graves consequências em todas as faixas etárias, perda de qualidade de vida, aumento do risco de outras doenças e que impacta negativamente o desenvolvimento das crianças. Ainda assim, esse problema nem sempre é diagnosticado e tratado como deveria. Estamos falando, é claro, das anemias.

30% das pessoas no mundo estão com algum tipo de anemia. Esse número pode chegar a quase 40% se forem consideradas apenas as mulheres na faixa etária entre 15 – 49 anos. As estimativas são da Organização Mundial de Saúde

 

Anemia: o que é?

Em termos simples, anemia é o resultado de estar com menos glóbulos vermelhos ou hemoglobina no sangue do que o ideal. Vamos explicar por partes o que isso significa.

Os glóbulos vermelhos são um dos tipos celulares presentes no sangue, e cada um deles possui um componente (a hemoglobina) responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para todo o corpo.

Quando não há glóbulos vermelhos suficientes na corrente sanguínea, ou não há hemoglobina suficiente (seja porque não foi produzida, seja porque há problemas em seu funcionamento), as células de todo o organismo ficam com o suprimento de oxigênio comprometido.

Sem oxigênio suficiente, as células do corpo não são capazes de realizar a respiração celular, processo no qual energia é gerada. Sem essa energia, os milhares de mecanismos internos que ocorrem em cada célula não funcionam corretamente. Isso pode ter efeitos tanto imediatos quanto de longo prazo, a depender do nível de restrição de oxigênio – nenhum deles é bom para a saúde.

A anemia não é considerada uma doença em si. Mas é uma condição de saúde indicativa de outros problemas que precisam ser investigados e curados, como má alimentação, doenças crônicas, alterações no sangue ou questões genéticas/hereditárias.

 

Anemia tem incidência maior em mulheres

Veja detalhes

Em 2023, foi publicado um estudo de amplo escopo, avaliando dados de saúde de milhões de pessoas ao longo de 30 anos (de 1990 a 2021), em todo o mundo. Nesse período, houve um aumento de 420 milhões de casos de anemia. Em 2021, mais de 1.9 bilhão de pessoas viviam com a condição. Vale notar que a maior parte dos casos está concentrada na África subsaariana e no sudeste asiático.

A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) de 2022 mostrou que 20,9% das crianças brasileiras menores de 5 anos (cerca de 3 milhões) apresentavam anemia ferropriva. A prevalência em mulheres também é elevada: cerca de 29,4%

O trabalho mostrou que, globalmente, 31% das mulheres tinham anemia, frente a 17.5% dos homens. Na faixa etária de 15 a 49 anos – considerada como idade reprodutiva no estudo -, a diferença foi ainda maior: 33% das mulheres tinham anemia, frente a 11% dos homens.

Apesar da falta de ferro ser a principal causa de anemia apontada no estudo, outros fatores importantes que resultaram em anemia – e que ajudam a explicar os números acima – foram questões ginecológicas (que incluem, por exemplo, problemas na menstruação que não são tratados) e hemorragia materna.

 

Falando sobre anemia ferropriva…

O tipo mais comum de anemia – em alguns contextos, correspondendo a até 90% dos casos – é a chamada ‘anemia ferropriva‘, que é relacionada à deficiência de ferro no organismo.

O ferro é um mineral essencial para que a hemoglobina seja formada e consiga transportar oxigênio pelo corpo.

Nosso organismo não produz ferro naturalmente. O que precisamos é obtido pela alimentação. Assim, a falta de ferro é principalmente decorrente de uma alimentação pobre nesse mineral, mas não só por isso. Problemas na absorção desse nutriente pelo intestino ou perdas de sangue frequentes (como menstruação intensa ou sangramentos internos) também podem levar à anemia ferropriva.

Existem outros nutrientes que, quando em falta no corpo, também podem levar à anemia, em casos menos comuns que a ferropriva. Dentre eles estão a vitamina B12 e o folato.

 

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Anemia é uma consequência só da má alimentação?

Apesar de a anemia ser muito associada a problemas nutricionais, há diversas outras causas em potencial. Doenças crônicas, tratamentos de saúde, questões genéticas e hereditárias estão relacionadas.

Condições que podem levar à anemia:

  • diferentes tipos de câncer,
  • insuficiência renal,
  • infecções crônicas,
  • insuficiência cardíaca
  • doenças autoimunes

 

Sintomas (e consequências) da anemia, por idade

Nos pequenos, a anemia se manifesta como cansaço excessivo, palidez, falta de vontade de brincar, falta de apetite, problemas de aprendizado e crescimento abaixo da média. A anemia é associada a problemas no desenvolvimento cognitivo e motor, assim como maior susceptibilidade a infecções (o que é particularmente perigoso se a criança vive em regiões nas quais doenças infecciosas graves, como a malária, são comuns).

Em adultos, os principais sinais de um corpo anêmico são fraqueza constante, fadiga, dificuldades para se concentrar e para levar uma vida normal, seja em casa ou no trabalho. Isso costumar gerar impactos severos, já que a pessoa não fica apta a trabalhar da melhor maneira possível (e colegas/chefes percebem isso!). Pode haver dificuldade para respirar, sensações de tontura, dores de cabeça e palidez (especialmente na região dos olhos). Em casos mais graves, a pessoa pode perceber o batimento cardíaco acelerado, assim como dores no peito.

Em adultos mais velhos (acima dos 65 anos), estar com anemia é um fator de risco para hospitalizações, aumenta o risco geral de mortalidade e costuma levar a resultados piores após cirurgias.

Anemia durante a gravidez é associada a taxas maiores de partos prematuros, hemorragias pós-parto, peso menor do bebê ao nascer, gestações mais curtas, natimortalidade e infecções (tanto para as mães quanto para os bebês).

 

 

Anemia como fator de risco para demências

🧠 Níveis abaixo do normal de hemoglobina no sangue foram correlacionados a riscos progressivamente maiores de demência, assim como a biomarcadores para a doença de Alzheimer.

Os resultados – ainda observacionais, sem uma relação de causalidade comprovada – são de um estudo realizado na Suécia, publicado este ano em um dos principais periódicos científicos, e que acompanhou, durante 09 anos, a saúde de mais de 2.300 idosos. Segundo os pesquisadores, os dados indicam que pode haver uma ligação entre anemia e doenças cerebrais, nas quais a falta de hemoglobina não apenas contribui para que essas doenças surjam, como também reduz a resiliência do cérebro para combatê-las.

 

 

Como a anemia é diagnosticada?

A principal maneira de diagnosticar a anemia é com um hemograma completo.

O exame é simples de ser feito e capaz de revelar alterações importantes para a compreensão da condição, como os níveis gerais de hemoglobina e de glóbulos vermelhos (em um teste chamado de hematócrito), assim como o tamanho e a concentração desses glóbulos vermelhos.

Nos hemogramas completos, o tamanho dos glóbulos vermelhos aparece nos resultados como ‘VCM’, de ‘Volume Corpuscular Médio’. A concentração é medida pelo ‘CHCM’, ou ‘Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média’.

No hemograma completo, é realizada, também, a “contagem de reticulócitos”, que nada mais é do que a contagem dos glóbulos vermelhos ‘jovens’ no sangue, um indicativo dos níveis de produção dessas células pelo corpo.

A depender do que o hemograma completo identificar, o médico poderá requisitar exames adicionais, que ajudam a compreender as causas da anemia. Os mais comuns são aqueles relacionados à quantidade de ferro no sangue (exames de ferritina, ferro sérico, transferrina e saturação de transferrina), de vitamina B12 e de folato. Se uma causa não for identificada, porém percebe-se que há baixas quantidades de ferro no sangue, pode-se requisitar exames de investigação adicionais (por exemplo, de sangramentos ocultos).

 

Não deixe de conversar com um médico sobre anemia

Com o acompanhamento médico adequado, a anemia, em suas mais variadas formas, pode ser tratada com sucesso. O importante é compreender o que está causando a condição – como vimos acima, são vários os potenciais motivos.

Com o tratamento adequado, o resultado é um corpo funcionando ‘a pleno vapor’, com consumo otimizado de oxigênio e ampla oferta de energia para as células. Sintomas como fadiga e fraqueza costumam melhorar muito rápido, em uma ou duas semanas. Em aproximadamente dois a três meses de tratamento, os níveis de ferro no sangue já atingem os níveis ideais.

Mas o acompanhamento médico é fundamental. Pessoas que suspeitam de anemia e tomam suplementos de ferro por conta própria podem estar ‘mascarando’ problemas de saúde mais graves, como doenças crônicas, questões genéticas ou problemas na produção de células do sangue pela medula óssea. Por isso, a indicação é sempre conversar com um profissional, que fará a avaliação completa da saúde e indicará o tratamento correto para cada caso.

HVC - Perfis de Médicos - Posts (Dra. Andreza Lamonica)

 

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