Segundo a OMS, as infecções hospitalares são um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Mas existe uma forma extremamente simples e prática de combatê-las – algo que você pode fazer todos os dias!

Se houve uma lição que ficou muito clara durante a pandemia da COVID-19 foi a incrível capacidade dos patógenos de se espalharem de forma rápida – apesar de cuidados com relação à higiene e a medidas sanitárias, especialmente em ambientes hospitalares.
Essa perspectiva nos ajuda a entender um dos maiores desafios que todo hospital ou centro de saúde no mundo enfrenta diariamente: o controle de microrganismos e de infecções. Afinal, garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes é sempre prioridade; todavia, em um ambiente em que existe grande ‘concentração’ de patógenos e pessoas com necessidades especiais e fragilidades físicas, evitar sua transmissão é uma tarefa que exige ação contínua de todos.
De acordo com a OMS, todos os anos, centenas de milhares de pessoas podem perder suas vidas por causa de uma infecção relacionada à assistência à saúde.
Hoje, vamos detalhar os impactos dessas infecções na saúde global e apresentar a medida mais efetiva (simples, prática e barata!) para evitá-las – e que envolve também o paciente.
O que são as infecções relacionadas à assistência à saúde?
Infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são definidas como quaisquer infecções adquiridas durante o cuidado em saúde, ou seja, não estando presentes ou em período de incubação durante a admissão do paciente.
Segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos EUA, uma infecção é considerada “relacionada à assistência” quando ocorre 48 horas ou mais após a admissão, ou quando está diretamente vinculada a procedimentos, dispositivos invasivos ou intervenções realizadas durante o cuidado, incluindo ambientes hospitalares, ambulatoriais, ou instituições de longa permanência.
As infecções são particularmente graves em:
- pacientes vulneráveis, como aqueles em condições clínicas crônicas (como doenças cardíacas, pulmonares e renais), em imunossupressão, além dos extremos de idade (prematuros e idosos);
- quando há uso de dispositivos invasivos, como cateteres e ventilação mecânica.
Os microrganismos presentes em superfícies hospitalares são “transportados” através das mãos dos profissionais de saúde, dos próprios pacientes e acompanhantes, facilitando assim a contaminação cruzada destes patógenos entre indivíduos susceptíveis.
Algumas patologias também podem ser transmitidas através de tosse, espirros e fala próxima, como no caso de influenza, COVID, entre outras.
Por que as infecções hospitalares são tão perigosas?
- Acometem indivíduos já debilitados, convalescentes de alguma patologia, seja ela clínica ou cirúrgica;
- O uso indiscriminado de antimicrobianos em ambiente hospitalar ou na comunidade (e até mesmo na pecuária e agricultura) para tratar infecções induz o aparecimento de bactérias resistentes, o que resulta na necessidade de antimicrobianos cada vez mais potentes, para cuidar de infecções muitas vezes intratáveis;
- Causam aumento no tempo de internação, e muitas vezes podem contribuir para mortes prematuras e incapacidades, com aumento da morbidade e mortalidade;
- O risco de óbito é até 5 vezes maior em pessoas com infecções hospitalares.
As consequências das infecções hospitalares podem ser graves, resultando em estadias prolongadas nos hospitais, complicações de longa duração, incapacidades e até levar à morte. Tudo isso gera um pesado fardo emocional, psicológico e físico tanto ao paciente quanto aos cuidadores e familiares.
A boa notícia é que existe um jeito muito simples de prevenir a grande maioria dos casos.
A medida mais efetiva para combater as infecções hospitalares: higiene das mãos!
Pode parecer incrível, mas estima-se que de 50% até 70% dos casos de infecções hospitalares poderiam ser prevenidos com a adoção de medidas muito simples e de baixo custo, sendo a principal delas…a higienização das mãos.
A literatura médica demonstra que a higiene das mãos é a intervenção isolada mais eficaz para prevenir infecções hospitalares.
É isso mesmo. Com adesão à higiene das mãos de forma adequada, há uma redução entre 80 a 90% de alguns tipos de infecção.
Apenas um ingrediente – álcool – e 30 segundos de tempo são capazes de cortar pela metade o número de casos de infecções em ambientes hospitalares.
A higiene também pode ser feita com água e sabão, especialmente quando há sujidade visível nas mãos.
Microrganismos estão em todo lugar, mas aqueles encontrados em ambientes hospitalares podem ser mais resistentes aos antimicrobianos, causando sérios danos aos pacientes. Se não houver cuidado, contaminações podem ocorrer a todo momento: é quase impossível uma pessoa passar um dia inteiro sem encostar os dedos (não limpos) nos olhos, no nariz ou na boca, por exemplo, levando para dentro do corpo potenciais patógenos.
Segredos (baseados em Ciência!) para higienizar as mãos
Dezenas de estudos científicos buscaram analisar a técnica correta de higienizar as mãos, assim como identificar os principais ‘erros’ cometidos. Usar álcool em gel ou água corrente, sabão e esfregar as mãos por 30 segundos parece ser a forma mais efetiva de garantir limpeza. E quanto aos erros?
Os estudos apontam alguns locais que constantemente ainda ficam ‘sujinhos’ mesmo após a lavagem. São regiões nem sempre lembradas na hora da higienização, e que acabam se tornando pontos em que microrganismos se multiplicam com facilidade. Confira quais são elas:
- A região entre os dedos: as pessoas costumam lavar bem as palmas das mãos, porém a pele entre os dedos é menos lembrada e acaba ficando contaminada. A dica é realizar movimentos circulares ao redor dos dedos na hora da lavagem.
- Polegar: também são poucas vezes esfregados com as mãos.
- A pele entre o polegar e o indicador: é uma região que costuma acumular muitas bactérias e nem sempre as pessoas se lembram de lavá-la.
- Sob as unhas: esfregar as unhas na palma da outra mão já ajuda a eliminar sujeirinhas que ficaram sob elas.
- Joias e acessórios: são itens, no geral, bastante contaminados e devem ser limpos com frequência. Para quem usa anéis, pulseiras ou relógios, a dica é retirá-los na hora de lavar as mãos, pois a pele ao redor deles costuma ser um ‘repositório’ de microrganismos.
O Brasil e as infecções hospitalares
Em termos de políticas públicas, a OMS coloca o Brasil na lista de poucos países no mundo com bom controle de infecções hospitalares, na mesma categoria de locais como Alemanha, Canadá, Suécia e Finlândia.
Isso porque existem programas preventivos nacionais, aplicado a todos os hospitais e centros de saúde e que seguem parâmetros internacionais de qualidade. Todos os postos de saúde possuem estrutura básica, como água corrente e saneamento, assim como materiais e equipamentos que garantem a segurança dos pacientes. Nestes quesitos, a posição do Brasil é boa, porém poderia ser ainda melhor, caso houvesse monitoramento contínuo da implementação desses programas e atualização de diretrizes de acordo com os resultados.
Todos os anos, segundo a OMS, mais de 136 milhões de casos de infecções hospitalares resistentes a antibióticos são registrados no mundo.
Na prática, todavia, os números preocupam profissionais da saúde.
As taxas nacionais de infecções hospitalares apresentam números muitos diferentes entre instituições, alguns com níveis próximos aos de países desenvolvidos, outros ainda com melhorias necessárias a serem implementadas.
Especialistas apontam que o uso indiscriminado (excessivo e incorreto) de antibióticos pela população, a presença de bactérias com perfil de resistência a antimicrobianos, a falta de suprimentos adequados e o treinamento e educação dos profissionais de saúde são alguns dos motivos por trás dos altos números de infecções registrados todos os anos.
Vera Cruz Hospital: referência de qualidade e segurança do paciente
Hospitais de excelência, como o Vera Cruz Hospital, possuem protocolos de segurança do paciente que incluem gerenciamento no uso de antimicrobianos, cuidados no controle microbiológico e medidas amplas de higiene. As equipes de saúde são treinadas frequentemente e seguem rigorosas diretrizes com relação à higiene das mãos, de superfícies e equipamentos médicos. Por isso, a incidência de infecções é cuidadosamente mantida em patamares mínimos, com análises críticas de cada processo e revisão criteriosa de riscos, continuamente.
A pandemia de COVID, de forma dolorosa, nos trouxe a necessidade do reforço de medidas eficazes para preservação da saúde e prevenção de doenças. São medidas simples, já conhecidas, mas que, se forem lembradas, podem resultar em mais saúde para todos. São lições que não podem ser esquecidas – capazes, inclusive, de prevenir as próximas pandemias.
Para saber mais
- World Health Organization – Infection Prevention and Control (IPC). Global report on infection prevention and control 2024. ISBN: 978-92-4-010398-6
- World Health Organization – World Hand Hygiene Day 2021, Key facts and figures.
- CDC – Healthcare-Associated Infections (HAIs): Reports and Data.


