Glaucoma: conheça o "ladrão silencioso" da visão - Blog - Hospital Vera Cruz

12/06/2025

Glaucoma: conheça o “ladrão silencioso” da visão

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo. Compreenda o que é, conheça as causas e as consequências para a visão, os sintomas e como se proteger.

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Você sabia que o glaucoma é conhecido como “o ladrão silencioso da visão“? A razão é simples: assim como um ‘vilão’ pernicioso, ele chega sorrateiramente, quase despercebido, e quando a pessoa nota os primeiros sinais de que algo não vai bem, muitos danos já podem ter ocorrido. Em 26 de maio recordamos o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, e hoje vamos focar esforços em entender o que é esta condição oftalmológica e como reconhecê-la, mesmo nos estágios iniciais. Diagnóstico precoce e tratamento imediato são as chaves para vencer esse “ladrão”!

Atualmente, o glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo, em especial nas populações mais idosas, acima dos 60 anos.

 

O quão comum é o glaucoma?

É muito provável que você já tenha ouvido falar em glaucoma – e até mesmo que conheça alguém que conviva com essa condição. Segundo estudos, mais de 76 milhões de pessoas no mundo estavam com glaucoma em 2020 – e esse número pode aumentar significativamente nos próximos anos, atingindo a marca de 95 milhões já em 2030.

Aqui no Brasil, as taxas de incidência estimadas são de aproximadamente 900 mil pessoas afetadas pelo glaucoma.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo inteiro, mais de 02 bilhões de pessoas possuem alguma deficiência visual. A estatística mais marcante é que pelo menos 50% desses casos – 01 bilhão de pessoas – poderiam ter sido evitados. O glaucoma é uma dessas condições que podem ter o impacto fortemente reduzido caso seja diagnosticado cedo e tratado corretamente.

 

Afinal, o que é o glaucoma?

O glaucoma é uma condição que gera danos ao nervo óptico, decorrente de um aumento de pressão no olho. O acúmulo de fluidos na parte da frente do olho é a principal causa desse aumento de pressão.

Em maiores detalhes: há um fluido chamado humor aquoso que está presente na parte da frente de nossos olhos, muito importante tanto para nutrir as células oculares quanto para criar uma pressão adequada na região (sem ele, o olho não teria o formato esférico que conhecemos). O humor aquoso é produzido ali mesmo, nesta área ‘da frente’ dos olhos, e, normalmente, é drenado via pequenos canais laterais. Caso essa drenagem não funcione, ocorre ‘excesso’ de humor aquoso na região, que progressivamente aumenta a pressão interna dos olhos, e isso acaba resultando em danos ao nervo óptico.

O nervo óptico é composto por mais de um milhão de pequeníssimas e delicadas fibras nervosas. Com o aumento de pressão interna, essas fibras são progressivamente destruídas, causando visão embaçada, perda de visão e pontos cegos. Esse processo é irreversível.

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Existem 02 tipos principais de glaucoma: o de ângulo aberto e o de ângulo fechado.

O glaucoma de ângulo aberto é o mais comum (corresponde a aproximadamente 80% dos casos), decorrente de problemas na ‘drenagem’ do humor aquoso produzido pelos olhos. Ele não gera dores e os sintomas aparecem de forma muito sutil no início.

Já o glaucoma de ângulo fechado é mais perigoso, causado quando a íris está muito próxima à região de drenagem do fluido interno ocular, dificultando sua saída. A pressão ocular nesses casos pode aumentar de forma abrupta e repentina, causando sintomas como dores severas nos olhos, visão embaçada de uma hora para outra e náuseas (veja a lista completa de sintomas adiante). Atendimento médico de emergência é necessário nesses casos.

 

Como o glaucoma é tratado?

Agora que já sabemos, mesmo que em termos gerais, o que causa o glaucoma (o acúmulo de fluido na parte da frente dos olhos, que gera aumento de pressão interna), podemos entender mais facilmente como ocorrem os tratamentos.

É importante notar que os danos causados pela condição são permanentes. Isto é, uma vez que o nervo óptico sofre danos, não é possível revertê-los. Por isso é tão importante manter-se atento e receber o diagnóstico o quanto antes, a fim de iniciar os tratamentos que evitam ou retardam a progressão da doença.

A primeira linha de tratamento do glaucoma são os colírios e um laser chamado trabeculoplasia seletiva (slt). Eles podem atuar tanto na redução da produção do humor aquoso pelos olhos quando facilitando sua drenagem – ambas as situações resultam em menos fluido ocular e diminuição da pressão interna.

Para casos mais graves, as cirurgias podem ser indicadas. Existem cirurgias convencionais e a laser. Elas têm o objetivo de criar novos ‘escapes’ para que o fluido consiga ser drenado, seja através de pequenas incisões, seja na modificação da estrutura interna dos olhos. Até mesmo cirurgias de catarata podem ajudar a reduzir a pressão interna intraocular em alguns casos. O objetivo, de qualquer maneira, é evitar o acúmulo de líquido, reduzir a pressão e proteger o nervo óptico.

 

Sinais e sintomas de glaucoma

Como vimos, há duas formas principais de glaucoma. Como elas diferem em termos de sinais e de sintomas?

Na forma mais comum (ângulo aberto), o glaucoma é realmente um “ladrão silencioso da visão”, surgindo de forma progressiva e sem qualquer sinal óbvio nos primeiros estágios (que podem durar anos). A pessoa não sente qualquer dor, e a visão parece ‘normal’, talvez um pouco embaçada nos cantos. Com o passar do tempo, todavia, o glaucoma progride, e sinais começam a ser percebidos:

  • Perda gradual da visão periférica
  • Aparecimento de ‘pontos cegos’ no campo de visão.

HVC - Blog - Glaucoma - Sinais e Sintomas

O sinal mais comum é que a visão periférica fica cada vez pior. O que isso significa? Nós focamos a visão no que está imediatamente à nossa frente. Porém, a visão periférica sempre está presente e ‘ativa’, sendo fundamental para a percepção do mundo. Podemos notar isso mais claramente quando algum objeto vem rapidamente em nossa direção, seja pela direita ou pela esquerda – mesmo que não estejamos olhando frontalmente para ele, conseguimos ‘captar’ sua presença ‘nas laterais’ do campo ocular (e desviar a tempo!). É justamente essa visão periférica que vai ficando cada vez mais restrita conforme o glaucoma progride. Nos piores casos, a pessoa fica com um quadro conhecido como ‘visão de túnel’: apenas a parte central da visão é nítida e focada; as laterais são bastante embaçadas, às vezes mais escuras, e objetos nem sempre são percebidos nessas zonas.

Além da redução na visão periférica, a progressão do glaucoma também pode gerar ‘pontos cegos’ no campo de visão, sinais de que há danos graves ao nervo óptico. Esses pontos cegos normalmente surgem nas laterais do campo ocular, mas podem ocorrer em qualquer parte da visão. São como ‘manchas’ escuras, permanentes, que aparecem no campo visual.

Na forma mais comum, o glaucoma se apresenta ao longo dos anos como uma piora progressiva da qualidade da visão, afetando principalmente a visão periférica. Se não for tratado, pode levar à cegueira.

E na forma de glaucoma menos comum (ângulo fechado), quais são os sintomas? Neste caso, eles surgem de forma mais intensa e repentina, e incluem:

  • Vermelhidão nos olhos, decorrente de maior presença de sangue na frente da íris
  • Sensação de dor ou de ‘pressão’ nos olhos (ou na parte da frente do rosto)
  • Os olhos podem, em alguns casos, parecer maiores e ‘saltados’
  • Visão embaçada ou embaralhada, com piora de foco ao olhar para pontos luminosos (a pessoa enxerga halos ou um arco-íris ao redor de luzes)
  • Percepção de ‘flashes’ de luz que aparecem repentinamente na visão
  • Dores de cabeça (causadas pela visão turva)
  • Náusea, em especial quando a pressão ocular sobe drasticamente.

 

Maneiras de evitar o glaucoma (ou reduzir o ritmo dos sintomas)

A detecção do glaucoma em seus estágios iniciais é muito importante. Ela permitirá o início de tratamentos capazes de estancar o progresso da condição, impedindo a perda total de visão e garantindo uma maior qualidade de vida. Por isso, a ação de prevenção número um a ser realizada é manter uma rotina regular de consultas ao oftalmologista. Ao medir a pressão ocular (é muito importante que o médico realize este exame!) e analisar o nervo óptico, será possível detectar anomalias mesmo em estágios iniciais.

A ação de prevenção número um é manter uma rotina regular de consultas ao oftalmologista.

Para quem já recebeu um diagnóstico, manter a estrita aderência ao tratamento é essencial para impedir que a condição piore com o tempo. Não é incomum que pessoas diagnosticadas acabem ‘relaxando’ em algum momento no uso de colírios, por exemplo, e isso pode gerar efeitos de médio e longo prazo muito negativos. A continuação dos tratamentos e o retorno periódico ao oftalmologista são maneiras de garantir uma boa visão por mais tempo.

Apesar de não haver uma ‘fórmula’ ideal para evitar o surgimento do glaucoma, algumas ações podem ser tomadas a fim de reduzir a probabilidade de seu aparecimento. Dentre elas estão a proteção dos olhos ao longo da vida e um bom controle da saúde (com foco na saúde circulatória). Como vimos, o glaucoma é resultado de uma pressão intraocular indevida, por isso qualquer ação que impeça um aumento dessa pressão é bem-vinda. Em especial para quem pratica esportes que envolvam o risco de lesões oculares, proteger-se com óculos é um exemplo de ação preventiva com potencial de reduzir os riscos de glaucoma no futuro.

 

Há fatores de risco para o glaucoma?

Caso você faça parte de algum dos grupos mencionados a seguir, converse com seu oftalmologista sobre os riscos de desenvolver glaucoma e mantenha uma rotina de visitas constantes ao consultório para verificar a saúde ocular. Pessoas nestes grupos costumam ter chances relativamente maiores de desenvolver a condição ao longo da vida, por isso atenção maior é necessária. Confira:

  • Pessoas que possuem, naturalmente, pressão ocular alta, ou que tenham córneas mais finas que o normal na região central, ou que apresentem alterações no nervo óptico
  • Ter parentes de primeiro grau com a doença (pais, mães ou irmãos)
  • Quem utiliza medicamentos esteroides por muito tempo
  • Pessoas que têm condições de saúde como pressão alta, diabetes ou problemas circulatórios
  • Pessoas que têm miopia
  • Pessoas que utilizam alguns tipos de medicações como esteroides

No geral, aqueles acima dos 40 anos já estão em um grupo de risco maior para o glaucoma. Nessa faixa etária, o mais importante é visitar o oftalmologista regularmente, especialmente se houver casos de glaucoma na família.

Em termos globais, estimativas apontam que, aos 40 anos, o glaucoma é diagnosticado em 1.6 pessoa a cada 100.000. Aos 80 anos, também a cada 100.000 pessoas, já são 94 diagnósticos da condição.

A visão é um dos sentidos de maior impacto para a qualidade de vida. Trata-se, também, de um aspecto da saúde extremamente delicado e complexo, que exige toda a nossa atenção. Problemas de visão são comuns conforme envelhecemos, mas isso não significa que não existam maneiras de impedir que progridam. O glaucoma, em especial, se não for tratado, pode levar à cegueira; todavia, tendo sido diagnosticado cedo (e, para isso, basta uma visita ao oftalmologista) e tratado corretamente, terá um impacto muito menor. Em resumo, há muito o que podemos fazer para impedir que esse ‘ladrão silencioso’ roube nossa visão – converse com seu médico e compreenda as melhores maneiras de se proteger.

 

Para saber mais:

  • Dados da OMS sobre saúde ocular: World Health Organization (WHO). World Report on Vision [8 October 2019]. Geneva: WHO; 2019 [cited 2020 Dec 2].
  • Números do glaucoma no Brasil: EDITORIAL • Rev. bras.oftalmol. 80 (1) • Jan-Feb 2021
  • Incidência do glaucoma por idade: Schoff EO, Hattenhauer MG, Ing HH, Hodge DO, Kennedy RH, Herman DC, et al. Estimated incidence of open-angle glaucoma in Olmsted County, Minnesota. 2001;108(5):882-6.

HVC - Perfis de Médicos - Posts - Carolina Gracitelli

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