Coração acelerado no peito: saiba como está a saúde cardiovascular dos brasileiros - Blog - Hospital Vera Cruz

08/08/2025

Coração acelerado no peito: saiba como está a saúde cardiovascular dos brasileiros

Sabia que mulheres entre 35 e 45 anos têm apresentado um crescimento expressivo nos diagnósticos de doenças cardiovasculares no Brasil? Conheça esta e outras estatísticas em nosso resumo sobre o coração dos brasileiros.

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As chances de você conhecer alguém que enfrenta problemas cardiovasculares é muito alta. Tanto aqui no Brasil quanto no restante do mundo, doenças do coração e do sistema circulatório são as mais comuns e relevantes para a saúde. Neste resumo especial do HOSPITAL VERA CRUZ, vamos entender, em números, como o coração impacta a saúde dos brasileiros, qual é o principal grupo de risco para problemas cardiovasculares, os motivos para isso e, principalmente, o que fazer para se proteger. 

Todos os anos, o SUS destina mais de R$1 bilhão para procedimentos cardiovasculares

 

O impacto do coração na saúde dos brasileiros

Tanto no Brasil quanto no restante do mundo, as doenças cardiovasculares representam a causa número um de falecimentos. Mas quão impactantes, exatamente, elas são? Os números podem impressionar.

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De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), doenças cardiovasculares resultam em 1.100 falecimentos por dia no Brasil – isso significa um falecimento a cada um minuto e meio. Nesta taxa, do começo deste ano até julho, mais de 220 mil pessoas foram afetadas. Até o final do ano, serão ao menos 400 mil brasileiros e brasileiras.

Um grande estudo global de saúde chamado “Global Burden of Disease”, com resultados publicados em 2020, mostrou que, no Brasil, havia 1.48 milhão de pessoas convivendo com doenças cardiovasculares em 1990. Em 2019, esse número já havia saltado para 4 milhões.

A relevância das doenças cardiovasculares na expectativa de vida dos brasileiros nem se compara às demais causas de mortes. No país, se somarmos todos os tipos de câncer e suas taxas de mortalidade, ainda assim as doenças cardiovasculares causam 2x mais mortes do que eles. Outra estatística reveladora: as doenças cardiovasculares geram 2.3x mais falecimentos por ano do que todas as causas externas (como acidentes e violência) somadas.

A boa notícia é que, para uma porcentagem considerável dos casos de risco, muito pode ser feito a fim de salvar vidas e melhorar os prognósticos, como veremos adiante.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, até 80% das mortes por doenças cardiovasculares poderiam ser evitadas se medidas de proteção simples fossem adotadas, como cuidar na alimentação, adotar hábitos de vida saudáveis e monitorar o colesterol.

 

Os fatores de risco

Antes de prosseguirmos, vale relembrar alguns dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Pessoas que vivem com um ou mais deles possuem, estatisticamente, chances maiores de desenvolver problemas no futuro. Confira:

  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Dislipidemia (” Colesterol Elevado”)
  • Tabagismo
  • História Familiar de Doença Arterial Coronária ou Periférica
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Estresse constante
  • Uso abusivo de álcool

E já que estamos falando sobre fatores de risco…

 

Mulheres de 35 a 45 anos – o grupo mais propenso a doenças cardiovasculares no país

No Brasil, dados de saúde nas últimas décadas têm indicado uma tendência relevante: os diagnósticos de doenças cardiovasculares têm crescido de forma notável entre mulheres de 35 a 45 anos.

O dado pode parecer curioso, uma vez que esse tipo de problema de saúde é correlacionado, no geral, a pessoas mais velhas. Mulheres entre 35 e 45 ainda são relativamente “jovens” em termos médicos. O que poderia estar acontecendo?

Vale notar

Estamos falando, aqui de diagnósticos cujas taxas vêm crescendo neste grupo ao longo dos últimos anos, embora os índices de mortalidade permaneçam mais elevados em faixas etárias acima dos 65 anos. Em termos de mortalidade, as doenças cardiovasculares ainda afetam majoritariamente as pessoas com 65 anos ou mais (tanto homens quanto mulheres). Em 2022, 72% das mortes por doenças do aparelho circulatório no Brasil foram na faixa etária de +65.

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Existem diversas explicações para isso. Primeiro, os motivos ‘numéricos’: as mulheres são maioria da população brasileira e as maiores usuárias do SUS. Aproximadamente 40% das mulheres têm entre 35 e 45 anos, o que amplia sua representação nas estatísticas. Então, quando se compilam as estatísticas anuais de dados de saúde, elas estão sempre fortemente representadas.

Todavia, as tendências que os dados sobre saúde do coração revelam têm motivos muito mais profundos do que meras estatísticas.

Em primeiro lugar, destaca-se que a faixa etária 35-45 corresponde ao período de climatério, isto é, a transição entre a fase reprodutiva e o pós-menopausa. Durante este período da vida, há maiores riscos de problemas cardiovasculares. Mudanças hormonais que ocorrem na menopausa podem provocar aumento de colesterol, dos triglicérides e da pressão arterial, resultando em mais problemas cardíacos.

Além disso, há outras razões apontadas na literatura médica: alguns estudos sugerem que mulheres nessa faixa etária tem maior propensão a apresentar algumas alterações ou sintomas cardiovasculares quando comparadas aos homens. Por exemplo, mulheres nessa faixa etária apresentam, com maior frequência, variações na pressão arterial, o que pode evoluir com o tempo para o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Os resultados do estudo “Estatística Cardiovascular – Brasil 2021”, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mostraram que as queixas de dores do peito foram mais prevalentes em mulheres do que em homens em todos os cenários analisados. Uma parcela dessas dores pode estar relacionada a problemas cardiovasculares e à obstrução de artérias do coração.

E há, ainda, fatores comportamentais: hábitos como sedentarismo, má alimentação, obesidade, colesterol elevado e estresse crônico são mais prevalentes nesse grupo feminino, especialmente em função da sobrecarga das múltiplas jornadas (profissional, doméstica e familiar).

Ainda de acordo com informações da SBC, entre 1990 e 2019, o Brasil teve um aumento de 62% nas mortes de mulheres de 15 a 49 anos por infarto.

Médicos são unânimes em apontar o “estilo de vida moderno” como uma das principais razões que explicam esses dados. Nas últimas décadas – e, em especial, nos últimos anos -, as pessoas têm dedicado mais tempo ao trabalho e às responsabilidades pessoais e familiares do que ao cuidado com si próprio – e isso costuma afetar especialmente as mulheres jovens. Com isso, o tempo para praticar exercícios físicos semanalmente é mínimo, as consultas médicas preventivas quase nunca ocorrem, a alimentação é feita de forma rápida e com baixa qualidade, o estresse e a ansiedade são constantes companheiros…nada disso é bom para o coração. E isso se reflete de forma explícita nas estatísticas de saúde.

 

O que se sabe sobre proteção?

Quando o assunto é saúde do coração, a rima com ‘prevenção’ é providencial.

Em primeiro lugar, fique sempre atento(a) a sinais e sintomas que podem indicar problemas graves, como infartos e AVCs, tanto em você quanto nas pessoas em seu redor:

  • Dor ou desconforto na região do peito
  • Dor ou desconforto nos braços (inclusive ombros e cotovelos), na mandíbula ou nas costas
  • Dormência nos membros em um dos lados do corpo
  • Dificuldades para se locomover
  • Confusão mental
  • Dores de cabeça intensas ou novas

Estes são sinais mais imediatos de que é necessária atenção médica, e podem indicar que uma doença grave já está em curso.

Em termos menos imediatos, cuidar da saúde de maneira constante ao longo da vida pode manter o coração batendo forte e saudável durante décadas – inclusive na velhice.

Ter o hábito de praticar atividades físicas (150 minutos de atividades moderadas por semana é a principal orientação), alimentar-se bem (com baixo consumo de alimentos ultraprocessados, de gorduras, sal e açúcar, e consumo elevado de fibras, grãos integrais, frutas, legumes e vegetais), manter um peso adequado, evitar o excesso de álcool, não fumar e ter a saúde mental sob controle são dicas essenciais para um coração mais forte.

O estilo de vida é um dos “medicamento” mais poderosos

Evidências é que não faltam para sustentar a tese de que existe um poderoso “remédio” chamado “estilo de vida saudável” quando o assunto é saúde cardiovascular. Pesquisas mostram que as pessoas que seguem as dicas acima podem ter até 80% menos chances de doenças do sistema cardiovascular do que a média da população. Infelizmente, é uma porcentagem muito pequena das pessoas (apenas 5%, indicam algumas pesquisas) que seguem todas elas de forma constante ao longo da vida.

 

Ir ao médico = viver mais

Uma orientação de extrema importância é manter uma rotina regular de consultas médicas, especialmente a partir dos 40 anos. Isso por conta de dois motivos principais.

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Primeiro: muitos dos sinais e sintomas de problemas cardíacos não são facilmente percebidos em seus estágios iniciais. O colesterol alto, por exemplo, que é um forte preditor para doenças cardiovasculares, pode ocorrer em pessoas magras. E mesmo quem parece estar saudável pode ter problemas genéticos, alimentares ou de falta de exercícios que podem impactar na saúde cardiovascular. Segundo motivo: uma das melhores maneiras de se evitar problemas cardiovasculares é tratar doenças que representam fatores de risco para eles (especialmente as crônicas), como diabetes, hipertensão e obesidade. O acompanhamento médico regular é fundamental para tratá-las corretamente – e assim proteger, de forma indireta, também o coração.

Todos estes pontos podem ser avaliados por seu médico. Consultas preventivas têm justamente esta missão: identificar de forma precoce quaisquer fatores de risco e criar estratégias de prevenção, que costumam ser extremamente eficientes. Quanto maior for o cuidado consigo mesmo(a) ao longo da vida, melhores os prognósticos para o futuro.

 

Dicas prática: como agir em casos de emergência cardiovascular?

Como vimos acima, problemas cardíacos são extremamente comuns. Talvez você se depare com alguém que esteja passando por uma emergência médica relacionada ao coração. Qual a maneira correta de agir nestes casos (mesmo para quem não conhece nada de primeiros socorros)?

Em primeiro lugar, mantenha a calma. Este pode ser um grande desafio, mas é imprescindível a fim de ajudar quem está em emergência. Respire fundo e tenha em mente que o objetivo é salvar uma vida.

Mais especificamente, confira algumas dicas compiladas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, em curso oficial de Treinamento em Emergências Cardiovasculares, sobre o que fazer em situações de emergência.

Em qualquer situação, ao perceber que uma pessoa está passando mal, primeiro tente se comunicar com ela. Se ela estiver respondendo, peça informações sobre tudo o que está sentindo. Isso será importante na hora de ligar para o SAMU – quanto mais informações, melhor e mais rápido será o atendimento. Se a pessoa estiver inconsciente, a solução é simples: ligar imediatamente para o 192.

 

Infarto – Como reconhecer e o que fazer

Se a pessoa estiver sentindo dores ou incômodo no peito, seja na região do coração ou em outras áreas próximas, assim como falta de ar, e se tiver sudorese, náuseas ou sensação de desmaio, pode ser que esteja passando por um infarto.

Nessas situações, tente ao máximo tranquilizar a pessoa enquanto liga para a emergência. Anote a hora em que os primeiros sintomas surgiram e informe a equipe de saúde assim que ela chegar.

A pessoa não precisa ficar deitada, mas mantenha-a ao menos sentada, sem se movimentar muito ou realizar esforços. Converse com ela, a fim de tranquilizá-la. Retire gravatas, lenços ou quaisquer peça de roupa ao redor do pescoço. Evite dar alimentos ou até mesmo água nessas situações, já que a pessoa talvez necessite de intervenção médica e a alimentação poderá atrapalhar os procedimentos.

 

AVC – Como reconhecer e o que fazer

Nos casos de AVC alguns sintomas são característicos. A pessoa pode sentir fraqueza e tem, usualmente, um dos lados do corpo afetado – por exemplo, boca e olhos ficam ‘caídos’ para um dos lados, os braços e pernas perdem a força etc. Pode haver confusão mental, fala empastada, incongruência verbal e falta de compreensão. Em muitos casos há problemas para se locomover, com dificuldade para andar e perda de equilíbrio.

Nesses casos de AVC, coloque a pessoa deitada, com a cabeça ligeiramente elevada (sobre uma almofada, toalha ou peça de roupa, por exemplo), e evite que ela se movimente. O melhor é descansar enquanto a ajuda não chega. Anote a hora em que os sintomas surgiram e ligue imediatamente para o SAMU. Não dê nenhum tipo de alimento ou bebida, já que a pessoa poderá ter dificuldade para engolir. Mantenha-se ao seu lado, monitorando a situação, e seja reconfortante. Com auxílio médico adequado e rápido, os prognósticos são positivos.

 

HVC - Perfis de Médicos - Posts - Thomas Borges Conforti

 

Para detalhes e mais informações
  • Estatística Cardiovascular – Brasil 2023, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)
  • Saúde cardiovascular dos brasileiros: Gomes, Crizian Saar et al. Factors associated with cardiovascular disease in the Brazilian adult population: National Health Survey, 2019. Revista Brasileira de Epidemiologia [online]. v. 24, suppl 2 [Acessado 18 Julho 2025] , e210013. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1980-549720210013.supl.2>. ISSN 1980-5497
  • Doenças cardiovasculares: fatores de risco e perfil de pessoas acometidas. UMANE – Observatório da Saúde Pública (com dados do DATASUS – SIM)
  • Saúde cardiovascular em mulheres entre 35 e 45 anos
  • Cardiômetro (projeto da SBC)
  • Hábitos de vida e impacto na saúde cardiovascular: Rippe JM. Lifestyle Strategies for Risk Factor Reduction, Prevention, and Treatment of Cardiovascular Disease. Am J Lifestyle Med. 2018 Dec 2;13(2):204-212. doi: 10.1177/1559827618812395. PMID: 30800027; PMCID: PMC6378495
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