Síndrome nefrótica: conheça os sintomas, os efeitos no corpo e os tratamentos - Blog - Hospital Vera Cruz

29/08/2025

Síndrome nefrótica: conheça os sintomas, os efeitos no corpo e os tratamentos

Síndrome ganha destaque na mídia por afetar a pequena Lara, filha do cantor Junior Lima. Inchaço foi um dos principais sintomas percebidos pelos pais. Entenda.

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Um dos casais de famosos mais discretos do país, Junior Lima e Monica Benini resolveram ‘abrir o jogo’ com relação à saúde da filha, a pequena Lara, de 03 anos. Em vídeos recentes nas redes sociais e declarações em entrevistas, o casal revelou que a menina está com síndrome nefrótica – uma condição de saúde relativamente comum na infância, porém ainda muito pouco conhecida das pessoas, potencialmente perigosa, que gerou diagnósticos errados para a menina, mas que agora está sendo devidamente tratada.

“(Resolvemos expor nossa intimidade) pela falta de informação que a gente tinha sobre essa síndrome – a gente não fazia a menor ideia de que ela existia”, comentou Junior em entrevista. “A gente percebeu que existe uma desinformação, uma dificuldade de diagnosticar”, explicou, detalhando que médicos haviam inicialmente sugerido que os sintomas da menina eram decorrentes de alergias.

Os sintomas da síndrome nefrótica foram bastante perceptíveis, em especial o inchaço provocado pela condição. Lara chegou a ter 4kg de retenção de líquidos.

“Ela começou a ficar muito inchada. Tinha dias que ela acordava com os olhinhos bem inchados e demorava para desinchar durante o dia. Em um determinado momento, vi que ela estava pesada. Ela já estava com quatro quilos de retenção de líquido. Para uma criança desse tamanho, isso era 30% do peso dela”, afirmou o cantor.

A síndrome nefrótica é considerada uma doença crônica importante da infância. Sua incidência anual em jovens com menos de 18 anos é de 02 a 07 casos a cada 100.000.

Após receber o diagnóstico correto, a menina iniciou tratamento com corticosteroides, com resultados já positivos, segundo o casal.

Mas, antes de falarmos sobre tratamentos, vamos entender em maiores detalhes o que é essa condição de saúde, quais órgãos ela atinge e como reconhecer seus principais sintomas.

 

 

O que é a síndrome nefrótica?

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Em termos simples, a síndrome nefrótica é um problema que ocorre nos rins e que resulta na eliminação excessiva de proteínas pela urina (especialmente albumina).

Adultos com síndrome nefrótica eliminam 3g ou mais de proteínas via urina a cada 24 horas – esse valor é 20 vezes maior do que o normal.

A condição pode acometer qualquer pessoa, em qualquer idade. Estima-se a incidência em 03 a cada 100.000 adultos. Ela é mais comum em pessoas com doenças renais decorrentes de diabetes e em quem tem histórico familiar de doenças renais com síndrome nefrótica.

Não há uma razão única que cause a síndrome nefrótica. Existem vários fatores que podem comprometer a ação dos rins e gerar esse excesso de proteínas na urina, desde questões genéticas a doenças autoimunes, passando por infecções (como aquelas pelo vírus da hepatite) e doenças como diabetes e nefropatias.

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Sintomas comuns da síndrome nefrótica

Sintomas comuns incluem:

  • Retenção de fluidos, resultando em ganho de peso
  • Perda de apetite (o que acende o alerta de muitas pessoas, já que ocorre concomitantemente ao ganho de peso)
  • Urina ‘espumosa’, decorrente do excesso de proteínas
  • Inchaço bastante perceptível, especialmente ao redor dos olhos e nos pés
    • Em crianças, o inchaço na face é um dos sintomas mais característicos
  • Cansaço constante
  • Dor abdominal

 

O que a síndrome nefrótica pode causar?

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Um dos principais sintomas da síndrome nefrótica é a desnutrição – muitas vezes ‘mascarada’ pelos inchaços e pelo ganho de peso por causa da retenção de líquidos. Baixas taxas de proteínas no sangue podem resultar em anemia e estão correlacionadas a níveis reduzidos de outros componentes essenciais para a saúde, como a vitamina D. Isso gera cansaço, falta de energia e de apetite, além de sensação constante de mal-estar.

Além disso, a eliminação de albumina na urina traz um déficit dessa proteína no organismo. Como consequência, o fígado passa a produzir mais albumina e libera mais colesterol e triglicérides na corrente sanguínea – tudo isso resulta em colesterol e triglicérides mais altos.

Como os rins não funcionam corretamente, muitos elementos que deveriam ser eliminados via urina acabam retidos, e vão se acumulando progressivamente. Isso pode gerar danos aos órgãos, que com o tempo resultam em doença renal crônica e levam a pessoa a ter de fazer diálises ou até mesmo transplante de rim, nos casos mais graves.

Pessoas com síndrome nefrótica mal controlada correm riscos maiores de ter coágulos sanguíneos, pressão alta e infecções – esta última decorrente da perda, para a urina, de imunoglobulinas essenciais ao sistema imune e que deveriam ter sido retidas pelo processo normal de filtragem nos rins.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da síndrome nefrótica usualmente é confirmado via exames laboratoriais.

Exames de urina podem demonstrar alta concentração de proteínas, enquanto exames de sangue mostram níveis baixos de proteínas (especialmente albumina).

Como vimos acima, a síndrome está relacionada também ao aumento nos níveis de triglicérides e colesterol, que podem ser detectados no exame de sangue.

A biópsia renal é uma maneira adicional de confirmação diagnóstica.

 

Há tratamento para a síndrome nefrótica?

Sim, há tratamentos. Apesar da condição não ser curável, os tratamentos ajudam a aliviar sintomas e a proteger os rins, mantendo-os funcionando de maneira satisfatória.

É importante saber que, em crianças, é comum a síndrome nefrótica regredir quando elas atingem os últimos anos da adolescência ou primeiros anos da segunda década de vida.

Quando a síndrome é decorrente de outros problemas de saúde – como o diabetes, por exemplo –, existem diversos tratamentos que podem ser seguidos a fim de corrigir a questão. Tratamentos envolvem medicamentos como diuréticos, que ajudam a controlar os inchaços, e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), que auxiliam na redução da pressão sanguínea, além de proteger os rins.

Tratamentos complementares com medicamentos que reduzem o colesterol e anticoagulantes podem ser receitados, a depender do caso.

Se a pessoa nasceu com problemas nos rins que resultam na síndrome, todavia, os tratamentos são voltados ao controle dos sintomas, e envolvem desde medicamentos e mudanças nos hábitos de vida (especialmente os alimentares) até diálises ou transplante.

 

Tratamentos em crianças

Especificamente em crianças que nasceram com a condição, o tratamento é realizado com corticosteroides (como é o caso de Lara).

85% das crianças costumam responder bem a esse tratamento, apresentando total remissão da proteinúria (alta presença de proteínas na urina) e proteção da função renal. Em 10% a 20% dos casos, todavia, esses tratamentos não funcionam – é a chamada síndrome nefrótica córtico-resistente. Alguns estudos estimam que até metade dessas crianças desenvolverá doença renal crônica.

Note-se que, se seguirem tratamentos com inibidores de calcineurina, até 70% dessas crianças terão remissão, ao menos parcial, da eliminação excessiva de proteínas na urina, garantindo uma boa qualidade de vida.

 

Um alerta para os pais

Junior e Monica decidiram conversar publicamente sobre a doença da filha a fim de alertar pais e mães sobre uma condição que, até então, eles não conheciam, e que pode ser percebida pelos cuidadores antes de gerar consequências severas à saúde dos pequenos.

O cantor comentou que, desde a publicação dos primeiros vídeos, recebeu inúmeras mensagens de famílias que identificaram sintomas semelhantes em crianças, e decidiram consultar um médico. Há um caso, inclusive, de uma criança que foi internada pouco tempo após a mãe ver os vídeos do casal e ‘conectar’ os sintomas relatados ao que sua filha estava sentindo, contou Junior.

“É importante dar esse alerta”, disse o cantor. “Sabemos que nós vamos nos expor, sim, mas quantas pessoas somos capazes de ajudar?”

Felizmente, a condição de Lara é tratável. Como compartilhou o casal nas redes sociais, “Ela já está em tratamento e está respondendo muito bem, sendo acompanhada por médicos incríveis, com um progresso positivo”.

“Se você notar algo fora do comum com a saúde do seu filho, não hesite em buscar orientação médica. A identificação rápida faz toda a diferença!”, compartilhou o casal. Uma dica valiosa e que deve ser seguida. Assim como ocorre em outras doenças, diagnóstico precoce e início rápido de tratamentos têm efeito benéfico na saúde e na qualidade de vida. Estar atento a sinais e sintomas, e buscar orientação médica sempre que perceber algo de errado, são ações de cuidado e carinho que salvam vidas.

HVC - Perfis de Médicos - Posts - Dra. Daniela Nucci

 

Para mais detalhes e informações:

  • Tapia C, Bashir K. Nephrotic Syndrome. [Updated 2023 May 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan.
  • Tullus, Kjell et al. Management of steroid-resistant nephrotic syndrome in children and adolescents. The Lancet Child & Adolescent Health, Volume 2, Issue 12, 880 – 890
  • Vídeo de redes sociais do casal Lima sobre a doença da filha: https://www.instagram.com/reel/DMaaDYTMFNc/ 
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