Lúpus, Fibromialgia, Alzheimer: como são os tratamentos para as doenças do Fevereiro Roxo? - Blog - Hospital Vera Cruz

28/02/2025

Lúpus, Fibromialgia, Alzheimer: como são os tratamentos para as doenças do Fevereiro Roxo?

O Fevereiro Roxo é um mês de conscientização para o diagnóstico precoce de três doenças crônicas impactantes. Como elas são tratadas hoje em dia – e como poderão ser no futuro?

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Roxo e laranja são as cores que dão o tom para o mês de fevereiro. Duas campanhas da saúde são destaque este mês – a Fevereiro Roxo, para conscientização sobre lúpus, Alzheimer e fibromialgia, e a Fevereiro Laranja, sobre a leucemia.

Hoje, vamos focar na cor roxa, e discutir o que essas três doenças têm em comum, o que as caracteriza e como são os tratamentos para elas – tanto os atuais quanto os que poderão chegar muito em breve.

 

Fevereiro Roxo: a importância do diagnóstico precoce

A campanha deste mês de fevereiro reforça a importância do diagnóstico precoce para lúpus, fibromialgia e Alzheimer, a fim de evitar complicações e buscar a melhor qualidade de vida possível aos portadores.

Em comum entre elas é o fato de serem doenças crônicas, ou seja, ainda sem cura. Também em comum é que, quanto mais tempo demorar para um diagnóstico, piores são as manifestações dos sintomas.

Apesar de tudo isso, é importante reforçar que todas elas têm tratamentos. O objetivo atual é manter a qualidade de vida do paciente, reduzir ao máximo os sintomas relacionados às doenças e retardar sua progressão. Para isso, quanto antes forem diagnosticadas, melhor. Isso permitirá um início precoce das medidas terapêuticas, evitando danos ao corpo e permitindo um dia a dia de equilíbrio com estas condições.

Veremos a seguir o que são essas três doenças, quais estratégias de tratamentos já existem para elas e quais estão sendo desenvolvidas para o futuro próximo.

 

Em termos simples, o que é…

LÚPUS

O nome ‘oficial’ da doença é Lúpus Eritematoso Sistêmico, também conhecida pela sigla LES.  Para facilitar, é chamada apenas de lúpus.

O lúpus ocorre quando o sistema imune produz muito mais anticorpos do que o necessário para manter o organismo saudável. Esse ‘excesso’ de células de defesa passa, então, a atacar o próprio corpo, causando inflamação (especialmente na pele, nos rins, nos pulmões e nas articulações) e eventuais danos a tecidos saudáveis. Trata-se, portanto, de uma doença autoimune.

O lúpus é mais comum em mulheres, especialmente na faixa etária entre 20 e 45 anos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), até 300 mil pessoas podem conviver com a doença no Brasil.

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FIBROMIALGIA

A fibromialgia é uma doença que causa dores generalizadas, especialmente nos músculos, tendões e articulações, sendo mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos. Estima-se que, de cada 10 pessoas com a doença, de sete a nove sejam mulheres. As dores não são passageiras – podem durar vários meses (ao menos três meses, para o diagnóstico).

Ainda não se sabe o que causa a fibromialgia. Segundo a SBR, a doença pode afetar até 3% da população. Outros estudos colocam este número entre 2 e 6% da população global, tornando-a uma das doenças mais prevalentes que há.

 

ALZHEIMER

Trata-se de uma doença neurodegenerativa, sendo a principal causa de demência no mundo. Ao longo do tempo, afeta de forma profunda a memória, as habilidades sociais, a capacidade cognitiva e de comunicação do paciente, tornando-o eventualmente dependente de ajuda e suporte para realizar tarefas básicas do dia a dia.

Ainda não se sabe exatamente o que causa a doença – sabe-se que os fatores de risco são idade, histórico familiar, genética, alguns hábitos de vida e algumas condições médicas. Acredita-se que o Alzheimer seja decorrente de processos biológicos que ocorrem no cérebro e que levam ao acúmulo de proteínas (são as chamadas “placas amiloides”) e de “emaranhados neurofibrilares”, que resultam em uma acelerada morte celular dos neurônios.

A Associação Brasileira de Alzheimer estima que 6% das pessoas com 60 anos ou mais convivem com a doença. Aqui no Brasil, são pelo menos 900 mil pessoas.

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Esperança, cuidado e mais qualidade de vida: tratamentos e evoluções para as doenças do Fevereiro Roxo

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Médicos especializados em lúpus são unânimes: quanto antes a doença for diagnosticada, melhores as chances de um bom controle e mais fáceis são os tratamentos.

No momento, o diagnóstico requer uma consulta com um reumatologista, que analisará sinais e sintomas da doença, e poderá requisitar alguns exames laboratoriais a fim de reforçar as evidências, como exames de sangue (a quantidade de anticorpos circulantes, aumentada em pessoas com lúpus, é um dos parâmetros analisados).

Hoje em dia, estão disponíveis várias estratégias terapêuticas para controle do lúpus, que variam de acordo com a severidade da doença e a região do corpo afetada. Elas podem envolver desde mudanças em hábitos de vida (como alimentação, prática de atividades físicas, proteção da pele contra o sol, cessão do tabagismo etc) até o uso pontual de medicamentos que ajudam a aliviar sintomas e a controlar os períodos de maior atividade da doença.

Sabemos que ainda não há uma cura, mas como estão as pesquisas médicas sobre lúpus?

É interessante notar que os últimos anos testemunharam o lançamento de novos medicamentos e tratamentos. Nenhum deles representa, ainda, uma cura –e como foram recém-lançados, ainda não estão facilmente disponíveis –, porém no futuro próximo poderão ajudar os pacientes a evitar os piores sintomas e a controlar sua manifestação. Um exemplo é o anifrolumabe, um tratamento biológico que atua na via inflamatória associada à doença. Em testes clínicos, ele foi capaz de reduzir a atividade do lúpus, assim como a necessidade de uso de corticosteroides.

Além dos novos tratamentos já lançados, outros estão sendo estudados por cientistas e equipes médicas, inclusive em estágio já avançado de pesquisas. Nos Estados Unidos, por exemplo, pesquisadores da UC Davis Health estão utilizando células T modificadas do próprio paciente para eliminar células B autoreativas, que levam ao lúpus. Alguns resultados foram bastante promissores, com pacientes apresentando redução considerável no uso de medicamentos. O processo ainda é experimental e intensivo, porém mostra como a evolução médica sempre pode nos surpreender.

Portanto, as equipes médicas já possuem uma ampla variedade de tratamentos que ajudam a manter a qualidade de vida do paciente. No futuro próximo, novos poderão estar disponíveis. E é de se esperar que, no médio prazo, maneiras ainda mais eficientes de lidar com a doença estejam presentes em nossas vidas.

Com relação aos diagnósticos, também há boas notícias. Como vimos acima, atualmente o diagnóstico do lúpus ainda é feito via análise de sintomas e exames complementares. Porém, em breve, talvez tenhamos testes específicos para a doença, que podem ajudar a determinar sua presença de forma prática e eficiente. Diversos estudos exploraram o potencial de biomarcadores como método diagnóstico. O alvo são moléculas específicas de RNA, que se forem encontradas em níveis elevados em exames de sangue, podem indicar a doença com alto grau de confiabilidade.

 

Como ainda não se sabe exatamente o que causa a fibromialgia, também não existe um tratamento específico para a doença. Mas isso não quer dizer que ela não possa ser controlada com sucesso!

Hoje em dia, existem estratégias tanto farmacológicas quanto não-farmacológicas que ajudam a reduzir as dores e o número de episódios de dores agudas.

Garantir que o paciente durma bem, reduza os fatores estressantes no dia a dia e mantenha hábitos saudáveis de vida são medidas comprovadamente eficientes no manejo da fibromialgia. Uma das teorias sobre a doença é que fatores hormonais podem estar envolvidos em seu surgimento; assim, ter um cotidiano saudável e equilibrado ajuda a modular a produção de hormônios envolvidos com a sensibilidade à dor. Além destas estratégias, são muito utilizadas a fisioterapia e a terapia cognitivo-comportamental como auxiliares. A musculação e as atividades aeróbicas também são particularmente eficientes no controle da doença.

Em termos farmacológicos, no momento são utilizados como tratamento para a fibromialgia antidepressivos, neuromoduladores e relaxantes musculares, de acordo com o grau de severidade da dor e das características de saúde do paciente.

E para o futuro? Assim como vimos para o lúpus, para a fibromialgia também há novos medicamentos sendo estudados por equipes médicas em todo o mundo. Alguns dos resultados são bastante promissores, indicando redução significativa na inflamação e ajudando na modulação do sistema imune. Não há “grandes lançamentos” nos últimos anos, porém há muita pesquisa sendo feita.  Espera-se que estes estudos sejam a base de formas mais eficientes de controle do bem estar do paciente em breve.

Além disso, acumulam-se evidências interessantes do uso de tecnologias alternativas e não-farmacológicas no controle da doença. Nos últimos anos, terapias baseadas em realidade virtual, estimulação magnética transcranial e estimulação elétrica nervosa transcutânea têm sido testadas com sucesso em pacientes. Elas podem ajudar o corpo a relaxar, a aprimorar a transmissão de sinais elétricos nos nervos e a reduzir a dor.

 

Diferentemente do que muitos acreditam, a pessoa afetada com o Alzheimer percebe, sim, quando a doença dá os primeiros sinais. Afinal, ela é progressiva, ou seja, ‘piora com o tempo’. Os sintomas iniciais podem ser leves – com esquecer-se com mais frequência do que o normal, ou ter dificuldade de gravar novas memórias –, porém já afetam de forma perceptível o dia a dia. Quando eles surgem, procurar logo ajuda médica e conversar com a família são atos importantes.

No momento, há tratamentos que visam a reduzir o ritmo de progressão do Alzheimer, mantendo a capacidade cognitiva do paciente intacta por mais tempo. Um dos mais comuns é a rivastigmina, um medicamento aplicado via um adesivo na pele, disponível inclusive no sistema público de saúde, e que ajuda a “fortalecer” a comunicação entre as células cerebrais.

Em julho do ano passado, a U.S. Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, aprovou um novo medicamento para controle do Alzheimer (é a terceira aprovação de medicamentos para a doença desde 2021). Trata-se de uma injeção mensal que modula a formação das placas amiloides, relacionadas à perda de capacidade de memória e raciocínio. A nova droga é voltada a adultos com sintomas iniciais de Alzheimer, e testes clínicos mostraram que ela é capaz de reduzir o ritmo de progressão da doença. Esse tratamento é baseado em anticorpos monoclonais, que têm sido testados nos últimos anos como uma oportunidade interessante de combate ao Alzheimer. Outro tratamento baseado em anticorpos monoclonais foi aprovado pela FDA em 2023, este para tratamento de pessoas que já estão com declínio cognitivo decorrente do Alzheimer.

Vale notar que os novos tratamentos não são panaceias e que possuem efetividade limitada. Podem ser, todavia, opções adicionais para quem foi diagnosticado, assim como uma oportunidade de tratamento a ser avaliada pela equipe médica. Eles mostram que há vários caminhos sendo explorados a fim de controlar o Alzheimer e evitar sua progressão.

Para o Alzheimer, grandes avanços foram obtidos nos últimos anos com relação ao diagnóstico precoce. Novos exames de sangue de alta qualidade agora são capazes de identificar biomarcadores para a doença (como níveis anormais de proteína amiloide ou tau), e serão cada vez mais comuns nos laboratórios. Com eles, será possível obter um diagnóstico diferencial cedo durante a progressão da doença, permitindo que medidas de proteção sejam desenhadas junto ao médico.

 

O principal objetivo do Fevereiro Roxo

O corpo humano é a máquina mais complexa do universo, contendo mil e um segredos que estão longe de ser decifrados. É por isso que algumas doenças – como estas do Fevereiro Roxo – ainda são consideradas ‘misteriosas’, com causas, correlações e curas a serem descobertas.

Mas isso não significa que inúmeros avanços com relação aos tratamentos não existam ou que não evoluam constantemente: hoje em dia, as três doenças podem ser controladas a partir de um acompanhamento médico dedicado e do uso de estratégias terapêuticas medicamentosas e não-medicamentosas, customizadas para cada paciente.

O importante é identificar cedo estas doenças (até para isso há bastante inovação, como vimos com relação aos métodos diagnósticos!) e procurar ajuda especializada. Garantir mais qualidade de vida e bem-estar é o principal objetivo deste mês colorido.

 

Para saber mais:

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